CAMPANHA NÃO ELEITORAL

Belo Horizonte, 2012

PISEAGRAMA
www.piseagrama.org

A ação se dá em Belo Horizonte, durante o período da campanha eleitoral de 2012 e é composta por uma série de materiais gráficos, cartazes, adesivos, bolsas, cava-letes, camisetas, que vão pouco a pouco colorindo os espaços públicos das cidades (e também as redes sociais) através de imagens que se expandem para além do período eleitoral. O material vendido a preço de custo em livrarias, feiras ou na loja on-line, traz uma série de quadrados coloridos com hashtags  como #ÔNIBUSSEMCATRACA, #CARROSFORADOCENTRO, #PARQUESABERTOS24H,#UMAPRAÇAPORBAIRRO, #NADAREPESCARNOARRUDAS, provocando o imaginário urbano num momento no qual as cidades estão totalmente tomadas por slogans, imagens e propagandas de partidos políticos.

Esse material se configura como uma série de pílula de projetos para o espaço público, estimulando e apresentando outras formas de se reivindicar o espaço público para uso coletivo, uma vez que esses espaços se apresentam cada vez mais privatizados. Os cartazes sem assinatura se lançam livres às interpretações e interferências nos espaços das cidades, desenrolando propostas e imaginários, paisagens e práticas de código aberto. Durante as manifestações que tomaram as ruas do Brasil, a proposta da campanha foi apropriada por diversos grupos e movimentos sociais que inseriram no mesmo layout novas frases de reivindicação coletiva. Como, por exemplo, #NENHUMVIADUTO ou as diversas bandeiras verme-lhas com a frase #ÔNIBUSSEMCATRACA, empunhadas durante os protestos por melhoria no transporte público. A simplicidade do design e das mensagens fizeram o trabalho também viralizar nas redes sociais.

Piseagrama é uma publicação dedicada aos espaços públicos “existentes, urgentes e imaginários” e se define como “espaço público periódico”, coordenada por Fernanda Regaldo, Renata Marquez, Roberto Andrés e Wellington Cançado. A noção de “público” é desenvolvida na revista a partir da articulação entre diversas áreas do saber, como a arte, a política, a arquitetura, a fotografia e a vida nas cidades. Além do periódico, o grupo de editores publica uma série de livros como o Domesticidades, O guia do morador de Belo Horizonte e o Atlas Ambulantes. As publicações existem no meio impresso, mas servem também como material que se desdobra no espaço público para trazer ao debate as formas de viver, ocupar e experienciar a cidade de forma crítica.

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The action that occurs in Belo Horizonte, during the period of the electoral campaign of 2012, was composed of several graphic materials, posters, stickers, purses, easels and t-shirts, that little by little, go on to color the public spaces of the cities (and the social networks as well) through images that expand themselves beyond the electoral period. The material sold at the price of cost in bookstores, fairs or at the online store, brought a series of colorful squares with hashtags like #ÔNIBUSSEMCATRACA, [#BUSWITHOUTATURNSTILE], #CARROSFORADOCENTRO,[#CARSOUTOFTHECENTER], #PARQUESABERTOS24H, [#PARKSOPEN24HRS], #UMAPRAÇAPORBAIRRO, [#ONEPARKPERNEIGHBORHOOD], #NADAREPESCARNOARRUDAS [#SWIMMING ANDFISHINGINTHEARRUDASRIVER], provoking the urban imaginary in a moment in which the cities are completely overtaken by slogans, images and advertisements from political parties.

This material configures itself like a pill series of projects for the public space, stimulating and presenting other ways of demanding that the public space be used for collective use, since these spaces present themselves to be more and more privatized. The unsigned posters launch themselves, free to the interpretations and interferences in the city’s spaces, unrolling proposals and imaginations, landscapes and practices of open code. During the protests that covered the streets of Brazil, the proposal of the campaign was appropriated by a variety of groups and social movements that inserted new phrases for collective demands into the same layout. Like, for example, #NENHUMVIADUTO (#NOOVERPASSWHATSOEVER) or the variety of red banners with the phrase #ÔNIBUSSEMCATRACA (#BUSWITHOUTATURNSTILE), held during the protests for the improvement of public transportation. The simplicity of the design and of the messages made the work become viral as well, through the social networks.

Piseagrama is a publication dedicated to public spaces that are “existent, urgent and imaginary” and defines itself as a “periodic public space”, coordinated by Fernanda Regaldo, Renata Marquez, Roberto Andrés and Wellington Cançado. The notion of what is “public” is developed in the magazine based on the articulation among diverse areas of knowledge, like art, politics, architecture, photography and life in the cities. Aside from the periodical, the group of editors publishes a series of books like Domesticidades, O guia do morador de Belo Horizonte e o Atlas Ambulantes [Domesticities, The guide for the resident of Belo Horizonte and the Ambulant Atlas]. The publications exist in printed media, but also serve as material that unfolds itself in the public space to critically debate ways of living, occupying and experiencing the city.