CIDADÃO COMUM

Belo Horizonte, desde 2005

COMUM
www.flickr.com/photos/comum

O trabalho do artista Comum está intimamente ligado à cultura urbana e ao imaginário dos muros, com suas sobreposições de tipografias, pichações, propagandas, sinalizações oficiais e não oficiais. Ele se utiliza dos acontecimentos e transformações da cidade para produzir suas obras, que transitam por diversas linguagens, como o grafite, o stencil, o livro de artista e também a música (Comum faz parte de uma banda de rap chamada coletivo Dinamite e também possui um trabalho solo). Suas obras nascem de vivências e deambulações pela cidade, em que recolhe diversos materiais, situações e imagens que compõe seu repertório poético.

A série de stencils “Cidadão Comum” foi o ponto de partida para o desenvolvimento de sua pesquisa artística. Nessa série de stencils, ele retrata o cidadão comum, mas especialmente o cidadão marginalizado. Nas imagens mais recentes, as obras possuem um recorte mais marginal e as imagens mostram retratos de pessoas através de máscaras ou com o rosto coberto.  A série tem relação com o pensamento Zapatista, a partir da ideia de que somos todos um só, não personificamos uma individualidade apenas, mas fazemos parte de um grande coletivo mundial.
Em sua outra série de cartazes em stencil, “Corpo Presente”, Comum retrata quatro artistas que foram presos durante as manifestações de 2013 e 2014, em Belo Horizonte, por exporem suas ideias. Os cartazes foram produzidos a partir de fotografias feitas pelo artista, nas quais ele pede que os retratados se coloquem como quiserem.

O trabalho “Praça 7 de Setembro” é um livro de artista que retrata uma ação policial ocorrida no centro de Belo Horizonte, na qual um policial militar levanta um cobertor de um morador de rua em busca de drogas ou algo ilícito. O livro foi todo cons-truído com materiais encontrados nas ruas, que formam uma espécie de textura urbana produzida a partir de pedaços de papel, embalagens, sacolas e etiquetas. Todos esses elementos criam o pano de fundo no qual a ação policial acontece.

O trabalho de Comum relata a violência urbana vivenciada cotidianamente pelos cidadãos comuns, pessoas marginalizadas pelo sistema, criando interferências nas paisagens que dialogam com as imagens e textos da rua. Em suas intervenções, o artista procura produzir espaços de representação social desses personagens urbanos e das transformações geradas na cidade.

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The work of the artist Comum is intimately linked to urban culture and the imaginary of its walls, with their layerings of typographies, graffiti, advertisements as well as  official and nonofficial signage. He makes use of the events and transformations of the city to create his works, which traverse a variety of media such as graffiti, stenciling, artist’s books and music as well (Comum is a member of the rap group called Coletivo Dinamite and also has solo work of his own). His works are born from life experiences and wanderings around the city, where he collects a variety of materials, situations and images that compose his poetic repertoire.

The series of stencils “Cidadão Comum” [Common Citizen] was the starting point for the development of his artistic research. In this series of stencils, he makes portraits of the common citizen, but especially the marginalized citizen. In the more recent images, the works possess a more marginalized cutout and the images show portraits of people through masks or with covered faces. The series has a relationship with Zapatista thought, based on the idea that we are all a single one, we do not personify a mere individuality, but instead are part of a great global collective. In another series of posters made with stencils, “Corpo Presente” [Present Body], Comum makes portraits of four artists that were imprisoned during the protests of 2013 and 2014 in Belo Horizonte for making their ideas public. The posters were created with the artist’s photographs as their starting point, in which he asks the models to pose as they please.

The work “Praça 7 de setembro” [7 de Setembro Square] is an artist’s book that portrays police action carried out in the center of Belo Horizonte, in which a military police officer lifts the blanket of a homeless man in search of drugs or some other illicit thing. The book was completely made of materials found in the streets, that form a sort of urban texture made from pieces of paper, packaging, bags and tags. All of these elements create the background for the police action that occurs.

The work of Comum tells of the urban violence lived daily by the common citizens, people who are marginalized by the system. He creates interferences in the landscapes that dialogue with the images and texts of the street. In his public art works, the artist seeks to make spaces for the social representation of these urban characters and of the transformations generated in the city.