Piratão

Diversas cidades, desde 2009

Coletivo Filé de Peixe
www.coletivofiledepeixe.com
O coletivo Filé de Peixe intervém na economia política da arte, agindo criticamente sobre processos de recepção e circulação da arte enquanto mercadoria, investigando tanto as relações entre arte e vida, como as instâncias limítrofes entre objeto e produto, entre colecionismo e consumo. Inserem, no universo “aurático” do sistema da arte, a lógica e os procedimentos do mercado informal.

Em seu projeto “Piratão”, utilizando a mesma estética dos vendedores ambulantes existentes nas grandes cidades, o coletivo comercializou cerca de 7.000 obras de vídeo-arte de artistas clássicos e contemporâneos. O grupo possui uma estrutura profissional de pirataria que inclui, entre outros dispositivos, copiadora simultânea de CDs, DVDs, equipamentos de televisão, projetores e DVD portátil para testar a mídia na hora da compra.

Por meio de suas ações, o Filé de Peixe promove um debate sobre direitos autorais, pirataria, democracia, circulação e acesso aos bens artísticos. A cada nova montagem da obra, eles realizam a “Sessão Pirata”, uma mostra de vídeo-arte, a partir de uma seleção de trabalhos do acervo do “Piratão”. A lógica pirata está instaurada no projeto e não há  autorização para exi-bição, nem comunicado aos autores.

No processo atual de produção de arquivos digitais, não é mais possível saber se uma obra é original ou cópia, pois a princípio tudo é cópia. O mercado da arte, por sua vez, é baseado na unicidade, na autenticidade e no objeto-único, exigindo o certificado de um galerista ou curador para legitimar uma obra. Em “Piratão”, os artistas brincam com o status das obras de arte e inserem o universo informal, popular, característico das classes mais pobres, em ambientes elitizados da arte.

Uma vez que os pobres conseguem acessar apenas certos tipos de conteúdo que circulam no mercado formal da arte, o mercado pirata acaba por também revelar a existência de uma cultura da exclusão. Dessa forma, a partir da pirataria e do compartilhamento de material cultural pelas redes, emerge um importante mecanismo de luta contra a indústria do capitalismo cultural.

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The collective Filé de Peixe intervenes in the political economy and art, with critical action concerning the processes of the reception and circulation of art as merchandise, investigating the relationship between art and life as much as the similar instances between object and product, between collecting and consuming. They insert the logic and procedures of the informal market into the “halo effect” universe of the art system.

In its project “Piratão” [Big Pirate] (2009), utilizing the same aesthetic as the street vendors commonly seen in big cities, the collective sold approximately 7,000 works of video art about consecrated and contemporary artists. The group has a professional structure for piracy that includes, among other mechanisms, a simultaneous burnning of CDs, DVDs, television equipment, projectors and portable DVD players to test the media at the time of purchase.

Through their actions, Filé de Peixe promotes a debate about copyright laws, piracy, democracy, circulation and access to artistic assets. In each new set-up of the work, they hold a “Sessão Pirata” [Pirate Session], a showing of video art, based on a selection of works from the “Piratão” archives. The pirate logic is established in the project and there is no authorization for the showing, nor any notification to the authors.

In the current production processing of digital archives, it is no longer possible to know if a work is an original or a copy, since in essence, everything is a copy. The art market, in turn, is based on uniqueness, on the authenticity and the unique object, demanding a certificate from a gallery director or curator to legitimize the work. In “Piratão”, the artists play with the status that works of art have, and insert an informal and popular universe, characteristic of the poorer classes, in the elitist environments of art.

Since the poor obtain access to merely certain types of content that circulate in the formal marketing of art, the pirate market ends up revealing the existence of a culture of exclusion. In this way, based on piracy and the sharing of cultural material through networks, what emerges is an important mechanism in the fight against the industry of cultural capitalism.