Frente 3 de Fevereiro

São Paulo, 2005

frente três de fevereiro
www.frente3defevereiro.com.br

A Frente Três de Fevereiro é um grupo de pesquisa e ação direta, que por meio de um trabalho multidisplicinar busca levantar o debate sobre o racismo do Brasil, em especial o racismo policial. O grupo trabalha com artes visuais, teatro, poesia, audiovisual, aulas, debates e uma infinidade de formas expressivas que buscam investigar as raízes do preconceito racial no Brasil e promover ações para colocar o tema em debate.

O racismo é uma cultura muito introjetada no Brasil e vem de uma herança escra-vocrata que sempre existiu para privilegiar as elites em detrimento do povo em geral. O racismo é disseminado das mais diversas formas e sua manutenção se dá também pela cultura do medo nas grandes cidades.

Eles desenvolveram uma extensa e importante pesquisa acerca do racismo policial em São Paulo, e publicaram um livro (Zumbi Somos Nós – Editora Invisíveis Produções, 2004), com gráficos que mostram os processos de construção simbólica e as formas de violência contra os negros. O trabalho é uma importante fonte de dados para se compreender os processos perversos de racismo no Brasil.

Umas das ações mais conhecidas do grupo aconteceu em resposta a um episódio de racismo no futebol, entre os jogadores Leandro Desábato, do time argentino Quilmes, e Grafite, do São Paulo, no qual o primeiro foi autuado por racismo por ter chamado Grafite de “macaco”. O caso fez o grupo migrar para esse outro espaço, que a princípio se apresenta como um espaço democrático, mas que traz traços profundos de injustiça social, que é o futebol.

Em uma partida transmitida em rede nacional, a Frente Três de Fevereiro, em colaboração com as torcidas organizadas, abriram durante o jogo enormes bandeiras, normalmente utilizadas pelas torcidas, com as frases: “Onde estão os negros?”, “Brasil Negro Salve” e “Zumbi somos nós”.

O trabalho do coletivo é um mergulho radical nas questões sociais do Brasil, em uma estética de intervenção direta que mistura música, poesia, artes visuais e projeção com uma ação multidisciplinar e ativista. Tensionando os limites entre arte e política, o grupo utiliza o vídeo, o audiovisual e a poesia para registrar e difundir seu trabalho. Articulam- se com uma série de pessoas e movimentos que vão desde o meio acadêmico e intelectual, às torcidas organizadas, estudantes e movimentos sociais.