Gravate – Mil Catinodez – Sua vez

São Paulo, 2014

GRUPO EMPREZA
www.grupoempreza.com

O Grupo Empreza tem investigado a performance e a intervenção urbana desde 2001 com obras que experimentam os limites do corpo em ações instigantes e cheias de simbolismo. Formam um dos grupos de performance mais coeso e transgressor do Brasil.

Vários artistas já passaram pela formação do GE, que atualmente é formado pelos membros-integrantes Aishá Kanda, Babidu, Helô Sanvoy, João Angelini, Marcela Campos, Paul Setubal, Paulo Veiga Jordão, Rafael Abdala, Rava e Thiago Lemos.  Seus integrantes estão no Centro-Oeste do Brasil, em sua maioria, no estado de Goiás e no Distrito Federal.

Uma das marcas do grupo é o uso de um “uniforme”, terno e gravata, tailleur e roupas sociais usadas normalmente por empresários e executivos. O grupo, assim, faz uma alusão ao universo do mercado capitalista, mas, ao mesmo tempo se utiliza desta vestimenta como forma de anular a identidade, construindo um conjunto que mostra o coletivo coeso ao realizar suas ações.

O grupo desenvolve “Serões Performáticos” nos quais realizam vários trabalhos em um pequeno período de tempo, geralmente dentro e fora da instituição.
Seus trabalhos testam os limites do corpo e colocam o espectador em um lugar privilegiado de participação, o que pode gerar desconforto. No trabalho “Sua vez” (2002-2014), realizado em São Paulo, capital financeira do Brasil,  duas performers se colocam uma de frente para a outra e começam a revezar tapas no rosto. Na primeira versão do trabalho, os performers estavam sentados e marcavam a vez de cada jogador com um relógio de xadrez. Na versão de 2014, duas mulheres revezam tapas em uma faixa de pedestres na Avenida Paulista. Em “Mil Catinodez” (2014), os artistas, vestidos com o seu “uniforme” de executivo, ficam parados segurando uma nota de dinheiro com a testa contra a parede e, em “Gravate” (2014), duas pessoas ficam presas por uma corda em volta do pescoço.

A arte do grupo Empreza está afinada com o mundo contemporâneo e sua arte está totalmente ligada à vida e ao cotidiano. Não é aquela arte da simplicidade ou da beleza do senso comum que leva à tranquilidade e à contemplação. Pelo contrário, suas obras nos fazem entrar em um estado de desconforto para nos encontramos com o nosso eu, modificado, afetado pela simbologia e pela estética transgressora (e agressiva) de seus trabalhos, dos quais não é possível sair ileso.

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Grupo Empreza has been investigating performance and urban interventions since 2001 with works that test the limits of the body by instigating actions full of symbolism. They make up one of the most cohesive and transgressive performance groups of Brazil.

Several artists have come and gone through the formations of GE, being currently formed by members Aishá Kanda, Babidu, Helô Sanvoy, João Angelini, Marcela Campos, Paul Setubal, Paulo Veiga Jordão, Rafael Abdala, Rava and Thiago Lemos. Its members are in the Midwest of Brazil, most of them in Goiás and the Distrito Federal [Federal District].

One of the marks of the group is the use of a “uniform”, suits and ties, two piece suits and social attire normally used by businessmen and executives. In this way the group alludes to the universe of the capitalist market, yet at the same time makes use of this garment as a way of annuling identity, constructing a set that shows the cohesive collective upon carrying out its actions.

The group develops “Serões Performáticos” [Performative Overtime], in which several works take place in a short period of time, generally in and out of institutions.

Their works test the limits of the body and put the spectator in a privileged place for participation, which can generate discomfort. In the work “Sua vez” [Your Turn] (2002-2014), which took place in São Paulo, the financial capital of Brazil, two performers set themselves face to face and begin to exchange slaps on the face. In the first version of the work, the performers were seated and they marked each other’s turns with a chess clock. In the 2014 version, two women took turns slapping each other on a pedestrian crosswalk on Avenida Paulista. In “Mil Catinodez” [One Thousand Catinodez] (2014), the artists, wearing their executive “uniforms”, stay still, holding a bill of currency with their foreheads against the wall, and in “Gravate” (2014), two people become bound by a rope around their necks.

The art of the group Empreza is tuned into the contemporary world and its art is completely linked to life and to daily life. It is not that art of simplicity or of the beauty of common sense that brings one to tranquility and contemplation. On the contrary, its works make us enter a state of discomfort for us to encounter our self, modified, affected by the symbology and by the transgressive (and agressive) aesthetic of its works, of which it is not possible to get out of unscathed.