Lotes Vagos

Belo Horizonte, 2005 e 2006
Fortaleza, 2008

Breno Silva e Louise Ganz
http://lotevago.blogspot.com.br/

Lotes Vagos é um projeto que visa transformar os lotes vagos em espaços públicos de uso coletivo, durante um período pré-determinado. Os lotes são emprestados pelos seus proprietários e usados por vi-zinhos, moradores e transeuntes. O grupo que participa da transformação do lote torna-se responsável pela implantação do projeto, pelo cuidado com o espaço e pelos acontecimentos.

A intenção do trabalho é criar situações que estão na contramão da lógica de especulação imobiliária e de espetacularização dos espaços públicos. A proposta é trilhar um caminho que vise realçar uma rede de espaços vazios – áreas, potencialmente, de invenção e experiência – trabalhando tanto com as especificidades físicas do lugar (como a vegetação, o relevo, o terreno e as construções), quanto com as pessoas do entorno e suas atividades.

O processo começa com a busca desses lotes, por meio de caminhadas e do contato com diversas áreas da cidade. Depois são feitas negociações com os proprietários, que emprestam os lotes por períodos distintos, e em seguida é realizado um trabalho em colaboração com as pessoas do entorno, que decidem coletivamente qual será o uso do lote. As possibilidades para o uso das áreas são inúmeras, como festas de casamento, lugar para descanso, hortas públicas, bibliotecas, salões de beleza, parques e muitas outras. As formas de ocupação problematizam os modos de vida social hoje e colocam em debate as relações de propriedade, meio ambiente, ócio, ética e estética.

As ocupações não visam “requalificar” ou “revitalizar” os lotes, mas mantêm seu caráter de abandono, incorporam suas especificidades e projetam esses espaços como lugares entre o vago e o propositivo. Ao mesmo tempo, intensificam o debate sobre a qualidade de vida nas cidades e colocam em discussão a relação entre o público e o privado, o modo como utilizamos os espaços públicos da nossa cidade e como eles fazem parte da vida privada. O projeto pensa os lotes vagos como extensões do doméstico, que podem ser lugares para o lazer e o ócio, mas também como extensão da casa e da domesticidade, pois o espaço público também se faz pelo uso e pelas práticas informais, legais e ou ilegais, como habitações, vendas e plantações que se dão em ruas e áreas residuais.

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Lotes Vagos [Vacant Lots] is a project that aims to transform vacant lots into public spaces for collective use, during a pre-determined period of time. The lots are loaned by the proprietors and used by neighbors, residents and passers-by. The group that participates in the transformation of the lot becomes responsible for the implementation of the project, for taking care of the space and for what happens there.

The intent of the work is to create situations that are swimming upstream against the current of real estate speculation and the spectacularization of public spaces. The idea is to open a pathway that aims to highlight a network of empty spaces – areas, potentially, of invention and experience – working as much with the physical specifics of the space (like the vegetation, the terrain, the land and the buildings), as with the people in the surrounding area and their activities.

The process begins itself with the search for these lots, through walks and contact with a variety of areas in the city. Afterwards, negotiations are made with the proprietors, who loan the lots to the project for different periods of time, and following that, a collaborative work effort takes place with the people in the surrounding area, who collectively decide what the lot will be used for. The possibilities for the use of these spaces are unlimited, including wedding parties, leisure areas, public gardens, libraries, beauty salons, parks and several others. The forms of occupation question the ways of social life today and propose the debate regarding relationships with property, the environment, idleness, ethics and beauty.

The occupations don’t aim to “recategorize” or “revitalize” the lots, but instead to maintain their abandoned characteristics, incorporating their specifics and projecting these spaces as places somewhere between emptiness and volition. At the same time, it intensifies the debate regarding the quality of life in cities and proposes the discussion related to what is public and what is private and the way in which we use our city’s public spaces and how they are part of our private lives. The project thinks of the lots as extensions of what is domestic, which can be places for leisure and idleness, but also as an extension of the home and all that is domestic, as the public space is also created through use and through informal routines, legal or illegal, such as housing, sales, and the gardening that goes on in residual areas.