Notícias de américa

 

Diversas cidades, 2012

PAULO NAZARETH
artecontemporanealtda.blogspot.com

As ações, performances e instalações de Paulo Nazareth são fluidas e se misturam ao cotidiano do artista de uma forma que não é fácil saber o que é uma coisa ou outra. Arte, vida, cotidiano se apresentam em ações que vão desde rascunhos com proposições, a fotografias, desenhos, folhetos, vídeos, etc. São situações nas quais os espectadores são convidados a participar da elaboração do sentido dos trabalhos.

O artista se insere nas relações sociais para extrair formas e funções poéticas e políticas. O que ele faz é explorar e criar relações entre as pessoas e o mundo. Paulo Nazareth já teve diversas profissões: jardineiro, guardador de carro, padeiro, agente de saúde, faxineiro, vendedor de muamba do Paraguai, trocador de ônibus e pintor de letreiro. Vendeu limão, urucum, feijão, picolé, cocada, sabão de coco, bananada e pipoca em sua banca na feira do Palmital (região metropolitana de Belo Horizonte).

Em 2012, saiu a pé de Belo Horizonte rumo a Miami e Nova York. A viagem durou 7 meses, período no qual deixou de lavar os pés a fim de carregar a poeira de toda a América Latina para os Estados Unidos, onde lavou os pés nas águas do Rio Hudson. Durante todo o percurso, Paulo fotografa-se em diferentes situações, com as pessoas, ou nas paisagens, segurando cartazes como “vendo minha imagem de homem exótico” ou “dinheiro acaba” ou ainda “free all day”. O artista registra ainda de forma sutil a presença da cultura estadunidense entre os latino-americanos. Em seu caminho, cruzou aldeias indígenas, cidades grandes e pequenas, relacionando-se com os mais diversos tipos de pessoas. Ao final da viagem, ele “estaciona” uma kombi lotada de bananas na feira Art Basel, em Miami. A instalação, ironicamente, se chama “Art market/Banana market”.

Paulo brinca com o mercado e veicula suas obras/proposições por meio de sua empresa “Paulo Nazareth – Arte Contemporânea LTDA”, que vende obras por valores baixos, a partir de dez centavos. Apesar de sua grande inserção no mercado de arte, o trabalho de Paulo vai muito além da galeria, dos museus ou das bienais. O trabalho não parece ser feito para a veiculação nesses espaços institucionais, mas para circular numa instância de vida cotidiana. Seus objetos artísticos não têm a forma que normalmente se espera de uma obra de arte, são em sua maioria resíduos de suas experiências de vida. Marcam sua passagem pelos lugares e a presença das pessoas que estiveram em seu caminho.

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The actions, performances and installations designed by Paulo Nazareth are fluid and mix themselves with the artist’s daily life in a way that is not easy to know which is what. Art, life and the day to day present themselves in actions that range from sketches with propositions, to photographs, drawings, pamphlets, videos, etc. They are situations in which the spectators are invited to participate in the elaboration of the meaning of the works.

The artist inserts himself into social relationships  between people and the world. Paulo Nazareth has had a variety of professions: gardener, street “valet”, baker, health worker, custodian, smuggler of Paraguayan merchandise, bus fare collector and sign painter. He sold lemons, urucum, beans, popsicles, coconut and banana sweets and popcorn from his farmer’s market table in Palmital (a metropolitan region in Belo Horizonte). In other words, he maintains a very simple lifestyle, connected with the alternative and peripheral networks of production.

In 2012, he left Belo Horizonte on foot, headed towards Miami and New York. The trip took 7 months, a period of time during which he stopped washing his feet in order to carry dust from throughout Latin America to the United States, where he washed his feet in the waters of the Hudson River. Throughout the entire journey, Paulo photographs himself in different situations, with people, or the landscapes, holding signs like “my image of an exotic man is for sale” or “money runs out” or even “free all day”. The artist also registers, in a subtle way, the presence of U.S. culture among Latin Americans. He came across a variety of people on his path. At the end of his trip, he “parked” a VW van full of bananas at the Basel Art Fair in Miami. The installation, ironically, is called  “Art market/Banana market”.

Paulo plays with the market and manifests his works through his company “Paulo Nazareth – Arte Contemporânea LTDA”, that sells works at low prices, from 10 cents up. Although he has been deeply inserted into the global art market, Paulo’s work goes much further than the gallery, the museums or the biannual exhibitions. The work doesn’t seem to be made to be manifest in these institutional spaces, but to circulate in an instance of daily life. His artistic objects do not have the form that one normally expects from a work of art, they are for the most part residues of his life experiences. They mark the passage through places and the presence of people who he met along the way.