O levante

Recife, 2012

Jonathas de andrade
http://www.jonathasdeandrade.com.br

Para dar visibilidade à presença dos carroceiros nos espaços públicos de Recife, Jonathas de Andrade faz toda a articulação necessária para produzir a “1a Corrida de Carroças no Centro da Cidade de Recife”. Como os animais rurais são proibidos de circular pela cidade, para promover a corrida, foi necessário criar uma estratégia dentro da lei. Para isso, o artista trata a corrida como se fosse uma cena de filme e então consegue a autorização da Prefeitura para fechar ruas no centro da cidade, onde seriam gravadas as cenas da obra de ficção.

A corrida foi divulgada em panfletos distribuídos nas feiras de cavalos e a partir do boca a boca entre os carroceiros e entusiastas da proposta. Os prêmios oferecidos eram bodes e ração. No dia combinado, compareceram ao local cerca de 40 carroças, vários cavaleiros e a corrida foi ganhando uma proporção inesperada. Com a dificuldade de manejar todos os envolvidos, foram inscritos 10 carroceiros, que participaram da corrida e, antes da premiação, foi realizado um cortejo com todos os presentes. O evento, que começou no caminho previsto, virou um grande galope, com um descontrole que se direcionou no final para uma grande festa, com pessoas, cavalos e carroças espalhados pelo centro.

O trabalho celebra a presença dos carroceiros no espaço urbano. Esses trabalhadores são invisíveis aos demais moradores da cidade e eles ganham a vida fazendo fretes em carroças, carregando restos de supermercado para pequenos currais e para os quintais de suas casas em diversas partes da cidade. São pessoas que usam cavalos como meio de transporte e ferramenta de trabalho, guardam traços importantes de ruralidade e que, notadamente, fazem parte de nossa cultura e vivem na contramão da lógica desenvolvimentista das cidades, com o trânsito de carros, os prédios e a higienização dos espaços públicos.

///

 

To shed light on the presence of rickshaw drivers in the public spaces of Recife, Jonathas de Andrade makes all the articulations necessary to produce the “1a Corrida de Carroças no Centro da Cidade de Recife” [The 1st Rickshaw Race in the Center of the City of Recife”]. Since rural animals are prohibited from circulating around the city, to promote the race it was necessary to create a strategy within the law. For this, the artist treats the race as if it were a movie scene, and in doing so is able to receive authorization from the city government to close 14 streets in the center of the city, where the scenes of a work of fiction were to be filmed.

The race was promoted through pamphlets distributed at the horse fairs and through “word of mouth” among the rickshaw drivers and project enthusiasts. The prizes offered were goats and feed. On the scheduled day, approximately 40 rickshaws showed up with many riders and the race went on to take on an unforeseen proportion. With difficulty in managing all those involved, 10 rickshaw drivers signed up, who participated in the race and before the prizes were given, a parade took place with all present. The event, which began on the planned route, became a great gallup, with a lack of control that guided itself on to a big party, with people, horses and rickshaws spread throughout the city’s center.

The work celebrates the presence of rickshaw drivers in the urban space. These workers are invisible to the other residents of the city, and they earn their living by hauling freights on rickshaws, carrying supermarket leftovers to small corrals and to the yards of their houses in a diverse variety of areas in the city. They are people who use horses as their means of transport and work tool, they maintain important traces of rural life that are a noteworthy part of our culture and live swimming upstream against the logic of development in the cities, with traffic, buildings, and the hygienization of public spaces.