Perca Tempo

Belo Horizonte, 2009

Poro
www.poro.redezero.org

O Poro – Brígida Campbell e Marcelo Terça-Nada! – é uma dupla de artistas que trabalham juntos desde 2002, realizando intervenções urbanas e ações efêmeras. Seu trabalho se destaca pelas sutilezas das imagens que geram. São intervenções ínfimas e efêmeras, realizadas em espaços urbanos e que circulam pelas redes em forma de registro (impressos e digitais), criando diversas camadas de circulação de suas obras/ideias.

A dupla é fascinada com os processos de comunicação na cidade, que coloca em disputa e em debate os meios de comunicação oficiais e os meios de comunicação populares. O Poro realizou durante sua trajetória diversas intervenções em mídias populares – como panfletos, faixas de sinalização, cartazes lambe-lambes, bottons, etc. A ideia é produzir momentos de suspensão ou micromudança na percepção das pessoas e no cotidiano cada vez mais mecanizado e acelerado dos grandes centros urbanos.

Em uma de suas ações, “Perca Tempo” (2009), a dupla se apropria da lógica comercial que se vale de frases como “não perca tempo” ou “tempo é dinheiro” e cria uma campanha publicitária com a mensagem PERCA TEMPO. A frase está estampada em uma faixa que se abre na área de travessia de pedestres enquanto o semáforo está fechado para os carros, em um botton amarelo com a frase “perca tempo – pergunte-me como” e ainda na distribuição, em uma banquinha, dos panfletos “10 maneiras incríveis de perder tempo”. Na ação, o grupo traz ao debate o próprio conceito de tempo e propõe às pessoas que parem por um momento para pensar como estão vivenciando o tempo em suas vidas na cidade.

Os problemas da vida urbana e cotidiana são assim incorporados como valores artísticos. A dupla questiona como as espacialidades da cidade são determinadas por discursos dominantes e busca, através de suas pequenas ações, desestabilizar práticas corriqueiras e abrir relações subjetivas e imprevisíveis. São enigmas poéticos discretamente incorporados no cotidiano.

O Poro está interessado no fato das pessoas poderem se relacionar diretamente com o trabalho, sem que ele seja percebido como obra de arte e esteja, ao contrário, à mercê de uma série de leituras contaminadas e ricas, que dão outros sentidos às ações.