Vecana

Belo Horizonte, 2011

Pierre Fonseca
vecana.webnode.com.br

Numa certa manhã, árvores de Belo Horizonte aparecem marcadas com placas de metal que trazem a logomarca de uma empresa chamada “Vecana”. Além da informação de que aquela árvore está reservada para corte, há também um código de barra, número do lote para exportação e o endereço do site da empresa. No site, tudo dá a entender que se trata de uma empresa verdadeira. Em sua missão, visão, valores e estratégia de negócios, apresenta uma proposta que tensiona os limites éticos em relação à negociação e à exploração dos bens naturais nas cidades brasileiras.

Alguns moradores da cidade se assustam e entram em contato com a Prefeitura e a polícia, que dizem não saber nada sobre o assunto. O caso começa a tomar grande repercussão na mídia local e diversos jornais impressos e na TV noticiam o fato com muita revolta. A ação ganha páginas inteiras nos jornais e traz à tona diversas reclamações sobre como as árvores da cidade estão sendo cuidadas, a falta de responsabilidade da Prefeitura, etc. Repórteres vão até Brasília, no local onde estaria localizada a empresa de acordo com o site, e veem um prédio comercial bem luxuoso, porém não existe ali empresa alguma.

A demora para o público entender que se tratava de uma ação artística colaborou para uma recepção ainda mais séria da notícia na mídia. Nesse sentido, a ação é uma proposta artística que cria uma realidade distorcida, porém possível. Ao exagerar as estratégias comerciais que já existem no mercado, evidencia a falta de escrúpulos na negociação dos bens naturais nas cidades brasileiras e as relações comerciais que exploram o bem comum em nome do lucro.

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On a certain morning, trees in Belo Horizonte appear marked by metal signs that bear the brand mark of a company called “Vecana”. Aside from the information that the tree is designated to be cut, there is also a bar code, a lot number for export and the address of the company’s site. On the site, everything leads one to believe that one is dealing with a real company. In its mission, vision, values and business strategy, it presents a proposal that stretches ethical limits regarding negotiation and the exploration of natural resources in Brazilian cities.

Some city residents get frightened and contact the city government and the police, who say that they don’t know anything about the matter. The case begins to make a lot of noise in local media coverage, with a variety of print newspapers and TV, newscasts reporting the fact with outrage. The action gains full page coverage in the newspapers and brings to the surface a variety of complaints about how the trees in the city are being taken care of, the city government’s lack of responsibility, etc. Reporters go to Brasília, the location in which the company was supposed to exist, according to the site, and see a highly luxurious office building, however no company of any sort exists there.

The delay in the public’s understanding that what was an artistic action collaborated with the receiving of even more serious news from the media. In this way, the action is an artistic proposal that creates a distorted yet possible reality. Upon exaggerating the commercial strategies that already exist in the market, it shows evidence of the lack of scruples in the negotiation of natural resources in Brazilian cities and the commercial relationships that exploit the common good in the name of profit.